A Tether é alvo de uma auditoria completa pela KPMG, mas continuam a existir dúvidas
A KPMG dos EUA, uma das «Quatro Grandes», concluiu a primeira auditoria financeira completa da Tether, tendo as reservas excedido o passivo em 6,814 mil milhões de dólares.
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A Tether, emissora de stablecoins, concluiu a sua primeira auditoria financeira independente completa, tendo a KPMG U.S., uma das «Quatro Grandes» empresas de auditoria, emitido um parecer sem reservas sobre as demonstrações financeiras de 2025 da Tether International, S.A. de C.V., a entidade que emite o $USDT. A Tether afirma que esta auditoria representa a maior auditoria financeira inaugural da história.
A gigante das stablecoins anunciou pela primeira vez em março que tinha contratado uma das «Quatro Grandes» firmas de auditoria. A auditoria marca uma mudança significativa para a empresa, que enfrentou anos de escrutínio relativamente aos ativos que garantem a maior stablecoin do mundo. A Tether já tinha publicado atestados trimestrais das reservas, mas uma auditoria completa às demonstrações financeiras examina um leque muito mais vasto de informações.
A KPMG constata uma margem de segurança de 6,814 mil milhões de dólares
No comunicado de imprensa da Tether, o recém-nomeado diretor financeiro, Simon McWilliams, relata que as demonstrações financeiras auditadas revelaram reservas que excediam os passivos em 6,814 mil milhões de dólares a 31 de dezembro de 2025. McWilliams, um executivo financeiro experiente com mais de 20 anos de experiência na liderança de grandes empresas de gestão de investimentos em auditorias rigorosas, foi nomeado em março para conduzir a auditoria completa e «liderar o compromisso da Tether com a transparência e a conformidade regulamentar».
O parecer sem ressalvas da KPMG significa que o auditor concluiu que as demonstrações financeiras apresentam a situação financeira e os resultados operacionais da Tether International de forma fiel, em todos os aspetos materiais, de acordo com os princípios contabilísticos geralmente aceites nos EUA. A Tether descreveu o resultado como a forma mais elevada de parecer que um auditor independente pode emitir.
A KPMG analisou as demonstrações financeiras completas da Tether, incluindo o balanço, a demonstração de resultados, as alterações no capital próprio e a demonstração de fluxos de caixa. O trabalho abrangeu também transações, registos de propriedade, avaliações, contrapartes, sistemas internos e documentação de apoio.
Um pormenor recebeu especial atenção. A Tether afirma que a KPMG contou e inspecionou fisicamente cada barra de ouro detida pela empresa, verificando a existência de cada barra e as informações de identificação, em vez de se basear exclusivamente nos registos do depositário ou das contrapartes.
Um marco há muito adiado para a Tether
A Tether prometeu pela primeira vez concluir uma auditoria financeira completa em 2017, quando contratou a Friedman LLP. Essa relação terminou sem que a auditoria tivesse sido concluída. Posteriormente, a empresa continuou a prometer uma auditoria completa, ao mesmo tempo que publicava atestados de reservas através de empresas de contabilidade externas.
A história da Tether inclui também um escrutínio regulatório significativo. Em 2021, a empresa concordou em pagar 18,5 milhões de dólares para resolver um processo do Procurador-Geral de Nova Iorque relativo às suas reservas. A Comissão de Negociação de Futuros de Mercadorias (CFTC) multou separadamente a Tether em 41 milhões de dólares nesse ano, devido a alegações de que o $USDT estava totalmente coberto por dólares americanos.
A auditoria abrange a Tether International, não todo o grupo empresarial
O resultado não elimina todas as questões em torno da Tether. A auditoria abrange a Tether International, S.A. de C.V., a empresa que emite o USDT. Não representa uma auditoria completa da Tether Holdings, S.A. de C.V., a estrutura-mãe mais ampla.
Essa distinção é importante porque a Tether opera através de uma estrutura empresarial complexa, com inúmeros investimentos e filiais. Os críticos argumentam que uma auditoria à entidade emissora não resolve automaticamente as questões relativas às transações entre a emissora, a sua empresa-mãe e as empresas relacionadas.

A auditoria também não garante que a Tether cumpra sempre as suas obrigações, nem um parecer sem reservas serve como um aval ao modelo de negócio da empresa. Significa apenas que o auditor considerou que as demonstrações financeiras foram apresentadas de forma fiel, de acordo com o quadro contabilístico aplicável.
A Tether enfrenta um novo teste de transparência
O momento em que a auditoria ocorre confere-lhe maior importância. O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação destacou recentemente questões relacionadas com a propriedade da Tether, a sua estrutura corporativa e a divulgação pública limitada. O relatório descreveu a Tether como uma das empresas privadas mais valiosas do mundo, ao mesmo tempo que salientou que a empresa divulgou relativamente pouca informação sobre a sua propriedade.
O CEO da Tether, Paolo Ardoino, considerou o parecer da KPMG uma prova de que a infraestrutura financeira e a governação da empresa evoluíram a par do seu crescimento. Declarou ainda que mais de 650 milhões de pessoas em mercados emergentes confiam no $USDT.
A auditoria colmata, assim, uma das lacunas de transparência mais antigas da Tether, mas eleva também o nível de exigência em relação ao que as partes interessadas podem esperar daqui para a frente. A questão principal passa agora de saber se a Tether consegue concluir uma auditoria completa para saber que parte dessa informação auditada a empresa irá disponibilizar e como irá abordar as questões relacionadas com a sua estrutura corporativa mais ampla.
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